
Existe um mito silencioso que atrapalha muita gente: a ideia de que criatividade é dom, algo que algumas pessoas intrinsecamente têm e outras não. Na prática, ela funciona de um jeito bem diferente: a criatividade se comporta como se fosse um músculo e, como qualquer músculo, responde ao uso.
Quanto mais você exercita, mais repertório constrói, mais conexões faz, mais segurança ganha para testar caminhos novos e abordar novas ideias. Quando fica parada por muito tempo, ela não some, mas perde agilidade. As ideias demoram a aparecer, a autoconfiança diminui e tudo parece exigir um esforço maior, gerando mais frustração e a sensação de “não adianta, eu não consigo ser criativo”.
A boa notícia é que é possível treinar a criatividade todos os dias.

Criatividade: onde tudo começa
A criatividade não nasce só na frente do computador ou no momento de “ter uma grande ideia”, ela começa muito antes, no jeito como você vive e observa o mundo.
Prestar atenção em conversas, observar comportamentos, reparar em detalhes da cidade, nas roupas das pessoas, nas frases que viralizam, nas dúvidas que se repetem. Tudo isso vira material criativo. Seu cérebro está o tempo todo registrando referências, mesmo quando você não percebe.
No universo da beleza isso aparece o tempo todo. O formato de sobrancelhas que muda a expressão do rosto, a técnica de cílios que se repete em um tipo de cliente, a forma como cada pessoa descreve o que quer, mesmo sem saber explicar de forma técnica. Esses detalhes são dados valiosos para criar soluções mais personalizadas.
Quando você se permite sair do automático e faz perguntas simples como “por que isso funciona?” ou “o que tem aqui que prende minha atenção?”, você está treinando sua capacidade de análise e associação. É daí que surgem soluções mais interessantes depois, no trabalho e na comunicação.
Criatividade cotidiana não exige um tempo extra na agenda, exige presença e atenção.

Exercícios simples para treinar a criatividade todos os dias
A criatividade se desenvolve no cotidiano, em pequenas atitudes repetidas. Alguns exercícios ajudam a manter esse “músculo” ativo:
- O exercício do olhar diferente
Escolha algo comum do seu dia, como o rosto de um cliente, um formato de olho ou um design de sobrancelha e observe três detalhes que você nunca tinha notado. Isso amplia a percepção e o repertório visual. - Uma pergunta a mais
Sempre que vir algo que funciona bem, um post de outro profissional, uma vitrine, uma campanha, pergunte por que aquilo chama atenção. É a linguagem? A imagem? A dor que toca? Esse hábito desenvolve leitura estratégica. - Recombinação de ideias
Pegue duas referências totalmente diferentes, como um filme e um estilo de sobrancelha ou cílios e pense como um poderia influenciar o outro. Muitas ideias nascem dessas combinações inesperadas. - Produção sem pressão
Escreva um rascunho de legenda, grave um vídeo curto explicando uma técnica ou desenhe um mapeamento novo sem obrigação de postar. Criar sem a cobrança de resultado libera experimentação. - Registro constante
Ideias raramente surgem em momentos “oficiais”. Anote frases, insights, dúvidas frequentes e observações do dia a dia. Isso vira conteúdo, argumentos de venda e melhorias no atendimento.
São práticas rápidas que, feitas com frequência, transformam a forma como você pensa e cria.

Criatividade na carreira: diferencial estratégico
No trabalho, a criatividade costuma ser associada apenas a ideias fora do comum ou a profissões vistas como criativas. Na prática, ela aparece na forma como você resolve problemas e se adapta às situações.
É criatividade quando você encontra uma forma mais clara de explicar um procedimento para o cliente, quando adapta uma técnica ao tipo de fio natural que ele tem, quando ajusta o design de sobrancelha ao estilo de vida da pessoa ou quando percebe um padrão de comportamento que ajuda a melhorar o atendimento.
Profissionais criativos conseguem enxergar possibilidades onde outros veem apenas o óbvio. Isso se constrói com repertório, treino e disposição para experimentar.
Quanto mais você se expõe a situações diferentes, projetos variados e referências fora da sua bolha, mais material oferece para esse “músculo” trabalhar. Sua carreira ganha flexibilidade e você deixa de depender de momentos de inspiração para produzir bem.

Criatividade na produção de conteúdo
Criar conteúdos com frequência é um dos treinos criativos mais completos. Você passa a olhar seu trabalho com outros olhos, traduz processos em linguagem simples, testa formatos e observa reações.
Cada post, vídeo ou texto vira um exercício de síntese, narrativa e leitura de contexto, como perceber o que seu cliente realmente quer ver, quais dúvidas ele tem e o que gera conexão.
Mostrar bastidores, explicar por que escolheu determinado mapeamento, contar a história por trás de uma transformação. Tudo isso fortalece sua comunicação e sua capacidade de gerar ideias.
Com o tempo, as ideias passam a surgir com mais facilidade porque seu cérebro já construiu caminhos internos para chegar até elas.
Produzir conteúdo também ajuda a perder o medo do julgamento. Quando você cria com constância, entende que nem tudo precisa ser genial para ser relevante. Essa leveza abre espaço para testar e ousar.

Como fortalecer a criatividade na prática
Você pode começar por três pilares: repetição, variedade e curiosidade.
Repetição é fazer mesmo quando não está inspirado.
Variedade é buscar referências fora da sua área direta.
Curiosidade é não aceitar tudo no piloto automático.
Algumas atitudes simples já mudam o jogo:
- Anotar ideias soltas, mesmo as que parecem não fazer sentido;
- Consumir conteúdos de áreas diferentes da sua;
- Testar abordagens e formatos novos, inclusive na forma de apresentar seu trabalho;
- Revisitar ideias antigas com olhar atual;
- Conversar com pessoas que pensam diferente de você.

A importância de consumir conteúdos diferentes
O repertório é a matéria-prima da criatividade. Quando você consome apenas o que todo mundo está consumindo, passa a usar as mesmas referências e repetir formatos parecidos.
Buscar conteúdos fora da sua bolha amplia possibilidades. Ler sobre comportamento, assistir produções de outros países, observar moda, fotografia, cinema e arte. Essas referências influenciam seu olhar, inclusive na escolha de estilos, composições de fotos e forma de comunicar seus serviços.
Muitas ideias originais surgem do encontro entre áreas que, à primeira vista, não têm relação direta.
Nada disso parece grandioso isoladamente. Ao longo do tempo, esse acúmulo constrói um repertório que sustenta criações mais maduras, seguras e estratégicas.

Criatividade também é consistência
Existe romantização demais em torno do momento da grande ideia. Mas o que sustenta profissionais criativos de verdade é a constância.
Sentar, pensar, testar, ajustar, errar, tentar de novo. Esse ciclo fortalece sua confiança e sua capacidade de resolver problemas de forma original. A criatividade deixa de ser um evento raro e vira parte do seu modus operandi.
Quando você entende que está treinando uma habilidade, como um músculo, muda a relação com o processo. Dias difíceis deixam de ser sinal de falta de talento e passam a ser parte natural do treino.
E é nesse treino contínuo, ideias mais potentes começam a aparecer com mais frequência, não por acaso, mas por construção.



